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Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

B.I. DA SALAMANDRA

 

Figura 1 Salamandra-de-pintas-amarelas no Jardim das Virtudes, no Porto, por Albano Soares.
 
Nome comum:Salamandra, Salamandra-de-pintas-amarelas, Salamandra-de-fogo, Salamandra-comum, Salamandra-dourada, Saramandela, Saramantiga.
 
Nome científico:Salamandra salamandra (Linnaeus, 1758)
 
Grau de parentesco:As salamandras pertencem a uma grande e diversificada classe de animais, que são genericamente designados por anfíbios. Nela se incluem as rãs, os sapos, as salamandras, tritões e cecílias. Como todos os anfíbios, as salamandras possuem a pele lisa (sem escamas, penas ou pêlos) e húmida, húmida, e partilham o seu ciclo de vida entre dois meios de características distintas, o meio terrestre e o meio aquático. As salamandras, tal como os sapos, são anfíbios de hábitos mais terrestres do que aquáticos. Mas ao contrário das rãs e sapos, as salamandras possuem cauda e por isso, pertencem a uma ordem especialmente criada para anfíbios com cauda, os Caudata.
 
Nome de Família:A salamandra-de-pintas-amarelas pertence à família Salamandridae. As salamandras que pertencem a esta família geralmente possuem um contraste de cores vivas, o corpo é mais comprido do que a cauda, os membros são bem desenvolvidos e digitados (com dedos). 
Os cientistas estudam características mais rigorosas para determinar se uma salamandra pertence ou não a esta família, como a morfologia do crânio, estruturas do ouvido interno, características reprodutivas, entre outras.
 
Porte:A salamandra-de-pintas-amarelas possui entre 15 a 25cm de comprimento, e geralmente são as fêmeas que atingem maiores dimensões. Excepcionalmente, podem chegar aos 30cm de comprimento. Em relação à cor, o corpo é preto e apresenta pintas, manchas ou bandas amarelas abundantes no dorso, enquanto que no ventre as manchas são em menor quantidade. A cabeça é ligeiramente achatada e arredondada, e os olhos, discretos, são negros. Atrás dos olhos da salamandra, situam-se as glândulas parótidas, bem desenvolvidas e frequentemente pontilhadas de vermelho ou laranja, numa clara referência à toxicidade. O corpo alongado é suportado por membros robustos, com 4 dedos nas patas anteriores e 5 nas posteriores. Os dedos são desprovidos de membrana interdigital. A cauda é arredondada, insinuando a par com a ausência de membrana interdigital, a pouca resistência natatória.
 
Nacionalidade:Esta espécie encontra-se distribuída geograficamente no Sul da Europa e Europa Central, Noroeste de África, e Sueste Asiático. Em Portugal, está presente em todo o território, à excepção das zonas mais áridas. Em Portugal ocorrem duas subespécies da salamandra-de-pintas-amarelas, a Salamandra salamandra gallaica  e a Salamandra salamandra crespoi.
 
Morada:As salamandras, como muitos outros anfíbios, são “filhas do pôr-do-sol”. Quer isto dizer, que estão activas desde o crepúsculo, e principalmente, durante a noite. No entanto, é possível observá-las durante o dia após chuva forte. Desta forma, a sua morada de eleição são locais com sombreamento abundante e húmidos, como pequenas matas e alguns bosques, onde o coberto vegetal proporciona bons refúgios e a humidade necessária para desenvolverem o seu ciclo biológico. Mas, também é possível encontrar salamandras na proximidade de ribeiros, riachos e charcos, canais de rega, tanques, poços e também de albufeiras. As zonas agrícolas, com oliveiras e gramíneas, são também moradas possíveis para este animal. A salamandra apresenta preferência por solos pouco compactos e com vegetação herbácea rasteira. É um animal tímido e humilde, em que um tronco oco ou a reentrância de uma rocha, também proporcionam boas moradias.
 
Percepção sensorial:Este animal é muito sensível a temperaturas extremas, quer se trate de calor ou de frio, e como tal, desenvolveu estratégias de sobrevivência face a estes desafios da natureza. Nas regiões que apresentam períodos de muito calor, entra num estado de dormência, a estiva, também chamado o “sono de Verão”, para evitar a desidratação. Nas regiões de períodos de muito frio, hiberna, conservando a energia do corpo. Os locais de hibernação e estiva, são revisitados ano após ano, sugerindo que estes animais possuem algum mecanismo de orientação. Algumas experiências realizadas com salamandras, permitiram esclarecer a importância de pistas olfactivas e visuais para a orientação destes animais. O olfacto e a visão, desempenham um papel fundamental para as salamandras, patente no acasalamento e defesa contra predadores.
 
Género:A salamandra é um nome feminino, mas existem salamandras macho e salamandras fêmea, e geralmente, a fêmea é de maiores dimensões. Quando as fêmeas estão prenhas, o seu corpo fica com uma forma acentuadamente ovalada.
 
Filiação e Nascimento:O acasalamento tem lugar fora de água, e durante a noite. O macho e fêmea reconhecem-se por via olfactiva, e podem ocorrer comportamentos de corte, em que, por exemplo, o macho esfrega a garganta(região gular) na cabeça da fêmea. Geralmente, o acasalamento ocorre durante o Outono e Inverno. Após a fecundação, as larvas da salamandra desenvolvem-se no corpo materno, e nascem de uma só vez, ou ao longo do período reprodutor. As fêmeas prestes a parir, preferem águas limpas, correntes e bem oxigenadas, mas podem parir em águas paradas, tanques, charcos e lagoas. Os cursos de água escolhidos são, idealmente, de pouca profundidade, pois os adultos não são bons nadadores. As larvas quando nascem são aquáticas (Figura 2), e encontram-se perfeitamente adaptadas a esse meio. Possuem um “colar” de brânquias em torno da cabeça, que lhes permite respirar debaixo de água, e a cauda é alta e achatada, quase funcionando como “remo”. As salamandras recém-nascidas vão permanecer com estas características durante algumas semanas ou meses, até atingirem cerca de 5cm de comprimento. Quando atingem esse comprimento, ocorre a metamorfose, a sua coloração muda para os tons semelhantes aos das salamandras adultas, perdem as brânquias, e a cauda torna-se arredondada. A metamorfose é um período decisivo para a sobrevivência das jovens salamandras, pois transitam do meio aquático para o meio terrestre. É como se as jovens salamandras se tivessem esquecido que sabiam nadar.
 
 
 
Figura 2 Larva de salamandra-de-pintas-amarelas. 
 
Mas nem sempre o ciclo de vida da salamandra começa na água. Por vezes, as salamandras fêmea dão à luz pequenas salamandras que são réplicas perfeitas de um adulto, e como tal não passam pela metamorfose, pois já nasceram adaptadas ao meio terrestre. Desta feita, o desenvolvimento das pequenas salamandras inicia-se em terra firme, e não na água.
 
Defesa e toxicidade:As larvas aquáticas da salamandra, apresentam como melhor defesa a fuga e refúgio. Mas ao chegarem à idade adulta, tornaram-se animais de locomoção lenta e muita coisa mudou. Quando se sentem ameaçadas, arqueiam o corpo ficando com o abdómen junto ao chão, exibindo ostensivamente a coloração dorsal e as glândulas parótidas (Posição de unken ou Reflexo de unken). Podem permanecer nesta posição durante vários minutos, até o perigo passar.
 
 
 
Figura 3 Taricha granulosa em posição de unken. 
 
No caso de se tratar de um predador jovem e inexperiente, este poderá ter uma desagradável surpresa ao atacar a salamandra, pois desconhece que aquela posição ostensiva da salamandra o está de facto a alertar para o seu “mau sabor”. Muitos animais com propriedades tóxicas demonstram o aposematismo, com a coloração de alerta ou coloração aposemática. As principais combinações de cores são o vermelho e amarelo, e o amarelo e preto.
 
A salamandra-de-pintas-amarelas segrega uma toxina composta principalmente por dois alcalóides, a samandarina (C19H31NO2) e samandarona (C19H29NO2), de aspecto leitoso. Estes dois alcalóides são bastante fortes, mas as quantidades segregadas pela salamandra são pequenas, e suficientes apenas para causar uma pequena irritação da pele ou das mucosas. A melhor forma de evitar este desconforto, é lavar as mãos depois de tocar numa salamandra, e se ainda com as mãos sujas, não tocar nos olhos, nariz ou boca até as lavar.
 
Só muito raramente e quando se sentem ameaçadas, as salamandras recorrem à toxina, que libertam na região dorsal, ou podem projectá-la a uma distância considerável a partir das glândulas parótidas.
 
Idade:Podem viver cerca de 15 anos. Existem alguns registos de longevidades bastante elevadas para salamandras mantidas em cativeiro, cerca de 50 anos.
 
Certidão de óbito: As salamandras-de-pintas-amarelas, em Portugal, são principalmente ameaçadas pela destruição do habitat natural, onde se destaca a poluição dos sistemas ribeirinhos, abandono dos campos agrícolas e, consequentemente, dos charcos e charcas. São numerosas as mortalidades por atropelamento nas estradas, e incontáveis as atribuídas às crenças populares, que não correspondem à realidade mas se baseiam em características do animal.
 
Crenças:Na Antiguidade, era atribuído à salamandra o poder de extinguir o fogo, e de possuir determinadas propriedades medicinais. Os naturalistas medievais acreditavam que estes anfíbios conseguiam sobreviver ao fogo, pois quando iam colocar lenha na fogueira por vezes estavam salamandras a hibernar, acordando o animal sob risco de morrer queimado. Acreditavam também que envenenavam os frutos de qualquer árvore em que tocassem, pois já tinham adquirido conhecimento da sua toxicidade. Mas de facto isto não corresponde à verdade, pois a salamandra só possui estas toxinas em pouca quantidade, como anteriormente referido.
 
Habilitações: É especialista em Bioquímica, uma vez que as toxinas que produz só ocorrem na natureza graças a estes animais. De facto, estas toxinas impressionaram muitos cientistas e químicos, que actualmente estudam as suas potenciais aplicações no campo da medicina.
 
A salamandra-de-pintas-amarelas é também especialista em devorar lesmas, que muito prejudicam os produtos hortícolas, tanto que os agricultores poderão estar atentos a esse importante factor.
 
Simbologia:Ligada à Terra e à Água, o seu elemento é o Fogo, pois a salamandra é um símbolo da vitória sobre as dificuldades. Na heráldica medieval, era frequentemente representada como um cão de pernas curtas e rodeada de fogo, tornando-se um símbolo de lealdade, além de vitória. Foi também, tradicionalmente, o emblema dos ferreiros, representando a metalurgia. Muitas companhias de seguros adoptaram este animal pelo seu simbolismo de combate ao fogo. E alguns de nós, ainda usamos salamandras nas nossas casas, um fogareiro, que deve o seu nome à simbologia deste animal.
 
Ana Caramujo Marcelino Canas
Bióloga Marinha do Fluviário de Mora
 
Fluviário de Mora
Educação – Falas do Rio
Joaninha Duarte
Medrar na Ribeira Raia
 
Adaptado de:
A colecção BILHETES DE IDENTIDADE, de acordo com ideia original da Prof.ª Doutora Ana Paula Guimarães.
 
O conceito dos BI’s dos Animais foi-me apresentado pela Mestre Joaninha Duarte, a quem agradeço muito, devo a amizade e com quem partilho muitos momentos felizes.
                                                                                  Ana     
 
Bibliografia consultada:
J. M. Pargana, O.S. Paulo, E. G. Crespo, Anfíbios e Répteis do Parque Natural da Serra de S. Mamede, Parque Natural de S. Mamede/ICN, 2ª edição, Portalegre, 1998, p. 101
 
Noémio de Sousa, Viagem Maravilhosa ao Mundo dos Anfíbios de Portugal, Aquário Vasco da Gama, Lisboa, 2008, p. 47
 
Sites consultados:
 
Fotografia:
Figura 1
Albano Soares in
 
Figura 2
 
Figura 3

https://1.bp.blogspot.com/_SqhhJb_P3Kk/Skt8vH20eTI/AAAAAAAAH7Q/QvHq4f3hcFc/s1600-h/Unken+reflex.jpg

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publicado por verdinho_naturezabrincalhona às 12:06
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